ESPOROTRICOSE

ESSE TEXTO FOI RETIRADO INTEGRALMENTE DO LINK:

http://www.fiocruz.br/~ccs/novidades/jun05/gato_fer.htm

O Estado do Rio de Janeiro – sobretudo a região da Baixada Fluminense e, mais recentemente, a Zona Oeste – tem sido cenário de uma epidemia incomum de esporotricose, doença caracterizada por lesões cutâneas causadas pelo fungo Sporothrix schenckii. Em geral, ocorrem alguns poucos casos isolados de esporotricose. Porém, de 1998 para cá, já ocorreram no Rio mais de 800 casos humanos, registrados no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec), unidade da Fiocruz. Para efeito de comparação, de 1987 a 1997, foram diagnosticados no Ipec apenas 13 pacientes.

A transmissão clássica da esporotricose ocorre quando a pessoa se machuca na terra, no espinho de uma planta ou em outros materiais orgânicos contaminados pelo S. schenckii. Quanto à atual epidemia, a equipe do Ipec verificou que cerca de 85% dos pacientes não devem ter contraído a doença pela forma clássica, e sim através de mordidas, arranhões ou outros contatos com gatos doentes. Esse dado chama a atenção, porque durante muito tempo a esporotricose felina foi considerada rara. Porém, nos últimos sete anos, foram diagnosticados no Ipec mais de 1.500 gatos com esporotricose provenientes do Rio.

A epidemia de esporotricose em curso no Rio de Janeiro também é incomum em relação aos sintomas da doença. Na maioria das vezes, a lesão na pele começa como um pequeno caroço avermelhado, que, com o passar do tempo, fica mole, libera uma secreção purulenta e se transforma em uma ferida. Essa ferida, que quase sempre aparece nas mãos, braços ou pernas, pode originar outras, em uma espécie de rastro a partir da lesão inicial. Nos pacientes atendidos no Ipec, têm sido observadas manifestações raras de esporotricose, como feridas com múltiplas localizações, inclusive com vários trajetos, e lesões nas mucosas da boca, do nariz e dos olhos.

No ser humano, as feridas da esporotricose são dolorosas. No entanto, em 10% dos casos elas evoluem para cura naturalmente. Na maioria dos pacientes, o tratamento adequado – que consiste no uso de antifúngico por cerca de três meses – resolve o problema. Contudo, no gato, a doença costuma ser mais grave. Além das lesões cutâneas mais difíceis de curar, os animais apresentam sintomas sistêmicos, muitos dos quais relacionados ao trato respiratório. Isso ocorre porque o fungo cai na corrente sangüínea e se dissemina pelo organismo, o que pode, inclusive, causar a morte do gato.

“Na literatura científica mundial, não existe nada semelhante a essa epidemia no Rio de Janeiro”, diz o médico Armando de Oliveira Schubach, do Serviço de Zoonoses do Ipec. Ele orientou duas teses de doutorado sobre a epidemia fluminense de esporotricose: a de Tânia Maria Pachecho Schubach e a de Mônica Bastos de Lima Barros.

Inseridos no Programa de Apoio à Pesquisa Estratégica em Saúde (Papes) da Fiocruz, os estudos do Ipec sobre esporotricose mostram que donas de casa estão entre as principais vítimas da doença. “Provavelmente, elas se contaminam porque são encarregadas de cuidar dos gatos doentes”, diz Schubach. Além disso, em torno de 5% dos pacientes são veterinários ou exercem atividades correlatas. Já os animais doentes são, em sua maioria, machos em idade reprodutiva. “O comportamento destes, que circulam fora do ambiente doméstico e se envolvem em brigas na rua, favorece sua contaminação pelo S. schenckii“, afirma.

Pela experiência do Ipec, a esporotricose não parece predominar entre populações miseráveis. A maioria dos pacientes atendidos no Instituto não vivem em favelas. Com renda familiar média entre dois e cinco salários-mínimos, moram em casas de alvenaria, com energia elétrica e saneamento básico. O Ipec já recebeu, inclusive, pacientes da Tijuca e da Barra. A diferença é que, nesses bairros, o tratamento adequado dos gatos doentes evita a disseminação da esporotricose. Já na Baixada Fluminense esse controle é mais difícil. “O principal conselho é evitar o contato com gatos doentes. Os animais mortos devem ser cremados, para não haver contaminação do ambiente. É aconselhável também castrar os gatos, para diminuir as fugas para a rua, o envolvimento em brigas e o conseqüente risco de contrair o S. schenckii“, recomenda Schubach.

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